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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Proximidade é Semelhança


Por: A. W. Tozer
Um pro. blema sério e às vezes angustiante para muitos cristãos é sentirem que Deus está longe deles ou que eles estão longe dEle, o que vem a dar no mesmo. Ê difícil regozijar-nos no Senhor quando padecemos deste senso de distância. É como procurar ter um claro e quente verão sem sol. Certamente que o maior mal aqui não é intelectual, e não pode ser sanado com recursos intelectuais; todavia, a verdade tem de penetrar na mente antes de poder entrar no coração, e por isso vamos raciocinar juntos sobre isso. Nas questões espirituais só pensamos corre­tamente quando com ousadia pomos de lado o conceito de espaço. Deus é no espírito, e o espírito não habita no espaço. O espaço tem a ver com a matéria, mas o espírito independe dele. Pelo conceito de espaço explicamos a relação dos corpos materiais, uns com os outros. Jamais devemos pensar em Deus como estando espacialmente perto ou distante, pois Ele não está aqui ou ali, mas leva o aqui e o ali em Seu coração. O espaço não é infinito, como alguns pensam; somente Deus é infinito, e em Sua infinidade Ele absorve todo o espaço. "Não encho eu os céus e a terra? diz o Senhor". Ele enche os céus e a terra, como o oceano enche o balde que afundou nele. e assim como o oceano circunda o balde. Deus o faz com o Universo que Ele enche. "Os céus dos céus não te podem conter". Deus não é contido. Ele contém. Como criaturas terrenas, naturalmente nos inclinamos a pensar mediante analogias terrenas. "Quem vem da terra é terreno e fala da terra." Deus nos criou como almas viventes e nos deu corpos pelos quais podemos experimentar o mundo que nos cerca e comuni­car-nos uns com os outros. Quando o homem caiu, mediante o pe­cado, começou a pensar que tem alma em vez de o ser. Faz muita diferença, se o homem crê que é um corpo que tem alma, ou uma alma que tem corpo. A alma é interna e oculta, enquanto que o corpo está sempre presente para os sentidos; conseqüentemente, nós tendemos a ser cientes do corpo, e o conceito de perto e remoto, ligado às coisas materiais, parece-nos plenamente natural. Mas só é válido quando aplicado às criaturas morais. Quando tentamos aplicá-lo a Deus, não mais retém a sua validade. Entretanto, quando falamos de estarem os homens "longe" de Deus, falamos verazmente. O Senhor disse de Israel: " O seu coração está longe de mim", e aí temos a definição de perto e longe em nossa relação com Deus. As palavras se referem, não à distância física, mas à semelhança. As Escrituras ensinam claramente que Deus está igualmente perto de todas as partes do Seu universo (Salmo 139:1-18); contudo, alguns seres experimentam a Sua proximidade e outros não, depen­dendo da sua semelhança moral com Ele. E a dessemelhança que produz o senso da remota distância entre as criaturas, e entre os homens e Deus. Duas criaturas podem estar tão perto fisicamente uma da outra que podem tocar-se, mas, dada a desigualdade de natureza, estão separadas por milhões de quilômetros. Pode-se imaginar a presença de um anjo e de um gorila na mesma sala, mas a radical diferença entre as suas naturezas impossibilitaria a sua comunhão. Na reali­dade estariam "longe" um do outro. Para a desigualdade moral entre o homem e Deus a Bíblia tem uma palavra, alienação, ou profunda separação, e o Espírito Santo apresenta um horrendo quadro dessa alienação e dos resultados que produz no caráter humano. A natureza humana decaída é precisa­mente oposta à natureza de Deus como revelada em Jesus Cristo. Uma vez que não há semelhança moral, não há comunhão, e daí o senso de distância física, o sentimento de que Deus está longe no espaço. Esta noção errônea desencoraja e impede muitos pecadores de crerem para a vida. Paulo animou os atenienses lembrando-lhes que Deus não estava longe de nenhum deles, que era nEle que viviam, moviam-se e exis­tiam. Todavia, os homens pensam que Ele está mais longe do que a mais distante estrela. A verdade é que Ele está mais perto de nós do que estamos nós mesmos. Como pode, porem, o pecador ligar o tremendo abismo que o separa de Deus na experiência real? A resposta é que ele não pode fazê-lo, mas a glória da mensagem cristã é que Cristo o fez. Pelo sangue da Sua cruz, Ele fez a paz, para poder reconciliar consigo mesmo todas as coisas. "E a vós outros também que outrora éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas. agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreen­síveis" (Colossenses 1:21,22). O novo nascimento faz-nos partícipes da natureza divina. Aí começa a obra de desfazer a desigualdade entre nós e Deus. Daí ela progride pela santificante operação do Espírito Santo, até dar plena satisfação a Deus. Essa e a teologia da matéria em foco, mas como já disse, mesmo a alma regenerada pode sofrer com o sentimento de que Deus está longe dela. Que deverá fazer, então? Primeiro, pode ser que o problema não seja mais que uma tem­porária ruptura na comunhão consciente com Deus devida a uma dentre meia centena de causas. A cura é a fé. Confie em Deus em meio à escuridão até voltar a luz. Segundo, caso o senso da distância persista, apesar das orações e aquilo que você crê que é fé, sonde a sua vida interior em busca de evidências de atitudes erradas, maus pensamentos ou defeitos de cará­ter. Essas coisas diferem de Deus e criam um abismo psicológico entre você e Ele, Expulse de si o mal, creia, e o senso de proximidade se restaurará. Deus nunca foi o primeiro a se afastar.